Vacinas

Guais doenças já foram controladas graças à imunização?

Meta description: Descubra quais doenças foram controladas, eliminadas ou tiveram seus casos drasticamente reduzidos graças às vacinas e conheça os números que mostram o impacto da imunização.

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Durante boa parte da história, doenças infecciosas como poliomielite, sarampo, difteria, tétano e coqueluche faziam parte da realidade cotidiana de milhões de famílias. Crianças podiam adoecer gravemente, desenvolver sequelas permanentes ou morrer em consequência de infecções que hoje podem ser prevenidas por meio da vacinação.

A transformação provocada pelas vacinas é uma das maiores conquistas da saúde pública. Um estudo publicado na revista The Lancet, com participação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de diversas instituições de pesquisa, estimou que os programas de imunização realizados entre 1974 e 2024 evitaram aproximadamente 154 milhões de mortes no mundo. Desse total, cerca de 146 milhões eram crianças menores de cinco anos e 101 milhões eram bebês com menos de um ano. 

Mas afinal, quais doenças realmente foram controladas pelas vacinas? E quais chegaram perto de desaparecer?

Erradicação, eliminação e controle: não é tudo a mesma coisa

Antes de conhecer os exemplos, é importante entender três conceitos.

Erradicação significa que a doença deixou de existir naturalmente em todo o planeta. Até hoje, apenas uma doença humana infecciosa foi oficialmente erradicada: a varíola.

Eliminação normalmente significa interromper a transmissão de uma doença em determinada região ou país. Isso não significa necessariamente que ela desapareceu do mundo.

Já o controle ocorre quando a vacinação reduz significativamente a quantidade de casos, hospitalizações, sequelas e mortes, mesmo que a doença continue circulando em algumas partes do planeta.

Essa diferença é importante porque algumas doenças que parecem ter “sumido” podem voltar quando a cobertura vacinal diminui.


1. Varíola: a primeira grande vitória

A varíola é o exemplo mais impressionante do poder da vacinação.

Durante séculos, a doença provocou epidemias e matou milhões de pessoas. A vacinação em larga escala, associada à vigilância epidemiológica e à identificação e contenção dos casos, permitiu que a transmissão fosse finalmente interrompida.

Em 1980, a OMS declarou oficialmente a erradicação da varíola.

Isso significa que a varíola não é mais uma doença que circula naturalmente entre seres humanos.

A experiência da varíola mostrou que uma doença infecciosa pode deixar de representar uma ameaça mundial quando ciência, vacinação, vigilância e cooperação internacional trabalham juntas.

A própria OMS classifica a varíola como a única doença humana até hoje erradicada mundialmente. 


2. Poliomielite: uma doença que caiu mais de 99%

Poucas imagens simbolizam tanto o medo das antigas epidemias quanto crianças com sequelas provocadas pela poliomielite.

O poliovírus pode atingir o sistema nervoso e provocar paralisia irreversível. Em alguns casos, a doença pode causar a morte quando os músculos responsáveis pela respiração são comprometidos.

O avanço da vacinação mudou completamente esse cenário.

Segundo a OMS, em 1988 eram estimados mais de 350 mil casos de poliomielite em mais de 125 países onde a doença era endêmica.

Desde então, os casos causados pelo poliovírus selvagem diminuíram em mais de 99%. Em 2025, apenas dois países ainda apresentavam transmissão endêmica do poliovírus selvagem: Afeganistão e Paquistão. 

Outro dado impressionante aparece no estudo publicado na The Lancet: a vacinação contra a poliomielite teria contribuído para evitar tantos casos de paralisia que mais de 20 milhões de pessoas conseguem caminhar hoje graças à prevenção da doença. 

A poliomielite, portanto, ainda não foi erradicada, mas está muito próxima desse objetivo.


3. Sarampo: de doença quase universal a doença prevenível

O sarampo é extremamente contagioso. Antes da vacinação, praticamente todas as crianças acabavam tendo contato com o vírus durante a infância em regiões onde a doença circulava.

Nos Estados Unidos, por exemplo, antes da vacina havia aproximadamente 500 mil casos de sarampo notificados e 500 mortes todos os anos. Porém, o número real de infecções era estimado entre 3 e 4 milhões por ano.

Depois da introdução da vacina em 1963, a incidência caiu mais de 95%. 

O impacto também aparece nos dados globais. A análise da OMS sobre os últimos 50 anos estimou que a vacinação contra o sarampo foi responsável por aproximadamente 93,7 milhões de vidas salvas, correspondendo a cerca de 60,8% de todas as mortes evitadas pelas vacinas analisadas no estudo. 

Isso ajuda a explicar por que o sarampo é frequentemente considerado um indicador da situação da vacinação de uma população.

Quando a cobertura cai, o sarampo tende a reaparecer rapidamente.


4. Rubéola: prevenção de uma das complicações mais graves

A rubéola pode parecer uma doença relativamente leve em muitas pessoas, mas existe uma situação especialmente preocupante: quando a infecção ocorre durante a gravidez.

A infecção pelo vírus da rubéola durante a gestação pode provocar síndrome da rubéola congênita, podendo causar problemas graves no bebê, incluindo alterações cardíacas, deficiência auditiva e problemas oculares.

A vacinação contra rubéola mudou esse cenário.

A vacina normalmente é administrada em combinação com outras, como na conhecida tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Dados da OMS mostram que a cobertura global da primeira dose de vacina contendo componente contra rubéola chegou a aproximadamente 73% em 2025. 

Embora a rubéola ainda não tenha sido erradicada mundialmente, diversos países conseguiram interromper sua transmissão endêmica graças à vacinação.


5. Difteria: uma doença que perdeu espaço graças à imunização

A difteria era uma das doenças infecciosas mais temidas, principalmente entre crianças.

A bactéria responsável pela doença pode produzir uma toxina capaz de provocar complicações graves, incluindo problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos.

A vacinação contra difteria geralmente está associada às vacinas que também protegem contra tétano e coqueluche, formando parte de programas de imunização infantil utilizados em diversos países.

O impacto histórico é enorme. A OMS estima que, em 2025, aproximadamente 85% dos bebês do mundo receberam três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3). 

A difteria não desapareceu completamente, mas sua ocorrência foi drasticamente reduzida em populações com vacinação adequada.


6. Tétano: uma doença grave que pode ser prevenida

O tétano possui uma característica diferente de doenças transmitidas diretamente de pessoa para pessoa.

A bactéria responsável pela doença pode estar presente no ambiente e entrar no organismo através de ferimentos contaminados.

Por isso, a vacinação é fundamental mesmo quando a doença não está circulando por transmissão comunitária da mesma forma que sarampo ou gripe.

Existe ainda o tétano neonatal, historicamente associado a condições inadequadas de parto e cuidados com o cordão umbilical.

A vacinação de mulheres em idade fértil, gestantes e a melhoria das condições de parto ajudaram a reduzir drasticamente o problema.

Segundo os dados globais da OMS, os casos relatados de tétano neonatal caíram de aproximadamente 17.935 em 2000 para 2.458 em 2025. 


7. Coqueluche: uma doença antiga que continua sendo monitorada

A coqueluche, também conhecida como pertussis, provoca crises intensas de tosse e pode ser especialmente perigosa para bebês.

A vacinação infantil reduziu substancialmente o número de casos graves e mortes.

Entretanto, a coqueluche não desapareceu.

A doença continua circulando e pode apresentar períodos de aumento de transmissão. Isso acontece porque a proteção proporcionada pela vacina pode diminuir com o tempo, motivo pelo qual os calendários de vacinação incluem diferentes doses e, em alguns países e situações, reforços.

Os dados da OMS registraram 264.221 casos de coqueluche em 2025 no mundo, mostrando que se trata de uma doença ainda presente. 

Isso reforça uma ideia importante: controlar uma doença não significa necessariamente eliminá-la.


8. Haemophilus influenzae tipo b: menos meningite e pneumonia infantil

O Haemophilus influenzae tipo b, conhecido como Hib, pode causar doenças graves, principalmente em crianças pequenas.

Entre as complicações estão meningite, pneumonia e outras infecções invasivas.

A introdução da vacina Hib em programas nacionais de imunização produziu uma queda significativa dessas doenças em muitos países.

A OMS informa que, até o final de 2024, a vacina contra Hib havia sido introduzida em 193 Estados-membros, enquanto a cobertura mundial com três doses era estimada em 78%. 

É um exemplo de uma doença que muitas pessoas atualmente conhecem pouco justamente porque a vacinação reduziu sua presença e seu impacto.


9. Hepatite B: prevenção de uma infecção que pode se tornar crônica

A hepatite B é causada por um vírus que pode provocar infecção aguda e, em alguns casos, evoluir para doença crônica.

A infecção persistente pode aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado.

A vacinação é uma das principais ferramentas para prevenir a infecção.

A OMS estima que a cobertura mundial com a terceira dose da vacina contra hepatite B chegou a 84% em 2025. 

A vacinação infantil, especialmente a proteção iniciada desde o nascimento nos países que adotam essa estratégia, é importante para impedir que a infecção se estabeleça desde os primeiros anos de vida.


10. Doenças pneumocócicas: uma frente mais recente da vacinação

As vacinas também avançaram contra doenças que até poucas décadas atrás causavam grande quantidade de hospitalizações e mortes infantis.

As vacinas pneumocócicas protegem contra diferentes tipos de Streptococcus pneumoniae, bactéria associada a doenças como pneumonia, meningite e sepse.

A introdução dessas vacinas em programas nacionais de imunização contribuiu para diminuir a carga de doença pneumocócica em crianças e também pode gerar efeitos indiretos na população.

Segundo a OMS, a cobertura global da vacina pneumocócica conjugada chegou a aproximadamente 71% em 2025. 


O impacto das vacinas vai muito além de uma doença específica

Talvez o número mais impressionante sobre vacinação não esteja relacionado a uma única doença.

O estudo publicado na The Lancet analisou 50 anos do Programa Ampliado de Imunização da OMS e estimou que a vacinação contra 14 doenças evitou aproximadamente 154 milhões de mortes entre 1974 e 2024.

Entre as doenças analisadas estavam:

  • Difteria;
  • Haemophilus influenzae tipo b;
  • Hepatite B;
  • Encefalite japonesa;
  • Sarampo;
  • Meningite A;
  • Coqueluche;
  • Doença pneumocócica invasiva;
  • Poliomielite;
  • Rotavírus;
  • Rubéola;
  • Tétano;
  • Tuberculose;
  • Febre amarela.

O estudo estimou ainda 9 bilhões de anos de vida ganhos e aproximadamente 10,2 bilhões de anos de vida saudável preservados. 

Outro dado chama atenção: para cada vida salva pela imunização, foram ganhos, em média, 58 anos de vida e 66 anos de vida saudável. 


Vacinação também protege quem não pode ser vacinado

Um dos efeitos mais importantes da vacinação acontece em nível coletivo.

Quando uma parcela suficientemente grande da população está protegida, o agente infeccioso encontra mais dificuldade para circular.

Isso pode ajudar a proteger pessoas que não podem receber determinadas vacinas por motivos médicos ou que ainda não possuem idade suficiente para determinadas doses.

Esse fenômeno é frequentemente chamado de imunidade coletiva ou imunidade de grupo.

O sarampo demonstra claramente essa relação. Como o vírus é extremamente contagioso, são necessárias coberturas vacinais muito altas para evitar sua transmissão sustentada.

Quando surgem grupos com baixa cobertura, aumenta o número de pessoas suscetíveis e o risco de surtos.


E quando a vacinação diminui?

A história recente mostra que o desaparecimento aparente de uma doença não significa que o problema acabou.

Se a cobertura vacinal cai, doenças que estavam sob controle podem voltar a encontrar espaço para circular.

A OMS informou que, em 2025, quase 21 milhões de crianças não receberam a primeira dose rotineira da vacina contra o sarampo. 

O problema não é apenas individual.

Uma criança não vacinada pode estar mais vulnerável à doença, mas também aumenta o número de pessoas suscetíveis na comunidade.

É por isso que campanhas de vacinação, acompanhamento dos calendários e vigilância epidemiológica continuam sendo importantes mesmo décadas depois da introdução de uma vacina.


As vacinas eliminaram todas as doenças?

Não.

Essa é uma das principais confusões quando se fala sobre imunização.

Algumas doenças foram erradicadas, como a varíola.

Outras chegaram muito perto da erradicação, como a poliomielite.

Outras tiveram seus casos reduzidos drasticamente, mas continuam circulando, como sarampo, difteria, coqueluche e tétano.

Além disso, novas vacinas continuam sendo desenvolvidas contra doenças diferentes. Atualmente, a OMS lista vacinas destinadas à prevenção de diversas enfermidades, incluindo dengue, COVID-19, Ebola, malária, HPV, influenza, meningite, rotavírus, febre amarela e outras. 

Portanto, a história das vacinas não terminou. Ela continua evoluindo.


O que os números realmente mostram?

Quando analisamos os dados ao longo de décadas, uma conclusão fica clara: a vacinação não apenas evita alguns casos de doença; ela transforma a trajetória de populações inteiras.

A varíola deixou de circular naturalmente no planeta.

A poliomielite caiu mais de 99% desde 1988.

O sarampo sofreu reduções superiores a 95% em países que adotaram a vacinação de forma ampla, como ocorreu historicamente nos Estados Unidos.

E, em escala global, os programas de imunização salvaram uma estimativa de 154 milhões de vidas em 50 anos.

Esses números não significam que as vacinas sejam capazes de eliminar todas as doenças ou que nenhuma pessoa vacinada possa adoecer. Nenhuma intervenção médica funciona dessa maneira.

O que eles mostram é algo mais concreto: a vacinação reduziu drasticamente a quantidade de doenças, mortes e sequelas que antes eram consideradas parte inevitável da infância e da vida adulta.


Conclusão

É fácil esquecer o impacto de uma doença quando passamos anos sem vê-la ao nosso redor.

Uma criança que nunca viu alguém com poliomielite talvez não consiga imaginar o medo provocado pela doença no passado. Uma geração que cresceu com acesso à vacina contra o sarampo pode não perceber que, antes da imunização, milhões de crianças eram infectadas todos os anos.

Esse é um dos paradoxos do sucesso das vacinas: quanto melhor funciona a prevenção, menos lembramos da ameaça que existia antes dela.

A história da imunização mostra que ciência, vacinação, saneamento, vigilância epidemiológica, acesso aos serviços de saúde e informação confiável podem mudar profundamente o destino de uma população.

As vacinas não são uma solução para todos os problemas de saúde, mas os números acumulados ao longo das décadas mostram que elas estão entre as intervenções de saúde pública de maior impacto já desenvolvidas.

E talvez a melhor maneira de compreender sua importância seja olhar para doenças que antes eram comuns e perguntar: por que quase não vemos mais seus efeitos hoje?

Em muitos casos, a resposta está justamente na imunização.


Perguntas frequentes

Qual foi a primeira doença humana erradicada por vacinação?

A varíola foi a primeira e, até o momento, a única doença humana infecciosa oficialmente erradicada no mundo. A OMS declarou sua erradicação em 1980. 

A poliomielite já foi erradicada?

Ainda não. Porém, os casos causados pelo poliovírus selvagem caíram mais de 99% desde 1988, e a transmissão endêmica permanece restrita a dois países segundo a OMS. 

Quantas vidas as vacinas já salvaram?

Uma análise publicada na The Lancet estimou que os programas de imunização contra 14 doenças evitaram aproximadamente 154 milhões de mortes entre 1974 e 2024. 

O sarampo desapareceu?

Não. O sarampo foi eliminado em algumas regiões e países durante determinados períodos, mas continua circulando em várias partes do mundo. A manutenção de alta cobertura vacinal é essencial para impedir sua transmissão sustentada.

Uma doença controlada pode voltar?

Sim. Quando a cobertura vacinal diminui, aumenta o número de pessoas suscetíveis e podem ocorrer surtos. O sarampo é um dos exemplos mais claros desse fenômeno.


 

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